Um novo santo da Igreja Ortodoxa

                            São Paísios do Monte Athos

         

          Nesta última terça-feira, dia 13 de janeiro, o Santo Sínodo do Patriarcado Ecumênico declarou o ancião Paísios do Monte Athos (1924-1994), um santo contemporâneo da Igreja Ortodoxa de Cristo.

       São Paísios (Arsanios Esnipidi) nasceu em Farça de Capadócia, em 25 de julho de 1924. Foi chamado em sua infância de “Arsánios” por Santo Arsanios Capadócio, que o batizou, profetizando-lhe uma vida monástica.

   No mesmo ano ocorreu uma mudança migratória entre os gregos e os turcos, na qual a família de São Paísio se instalou na cidade de Konítsa, na Grécia, onde ele cresceu e aprendeu a profissão de carpinteiro.

Ele aprendeu a fé ortodoxa no seio da família. Desde sua juventude apareceram em sua vida as marcas da conduta cristã virtuosa: oração, jejum, vigílias, leitura da Bíblia e da vida dos santos.

                      A vida de São Paísios 

       Ansiava desde então entrar na vida monástica, mas as circunstâncias difíceis de sua família o impediram.

         No ano 1945 foi convocado para o serviço militar, que coincidiu com a guerra civil na Grécia, onde ele mostrou uma coragem imensa, até sacrificar a si mesmo pelos seus companheiros soldados. Findo o serviço militar, ele queria realizar seu desejo de dedicar-se completamente a Deus, mas novamente precisava apoiar sua família.

         Finalmente, tendo cumprido todos os deveres familiares, no ano 1953 foi para o Monte Athos, para incorporar-se ao mosteiro “Esfagméni”. Em 1954 recebeu a tonsura e o nome religioso “Evérkios[1]”. Em seguida transferiu-se ao mosteiro “Kotlomusíu” e depois para o mosteiro “Filothéo”, onde lhe foi dado o pequeno eskéma e o novo nome religioso de “Paísios”.

       Desejando uma vida espiritual mais severa, São Paísios almejava ir para o deserto, mas após inspiração da Mãe de Deus, foi no ano 1958 para a cidade de Konítsa, onde havia crescido.

  Lá, ficou 4 anos, apoiando o povo espiritualmente e enraizando-o na fé ortodoxa, como também reconstruiu o mosteiro do distrito e sua igreja.

      No ano do 1962, foi para o deserto do Sinai, onde morou no eremitério dos santos Galaktíon e Epistími por dois anos, em uma vida ascética, severa e dura, o que acabou afetando sua saúde.

     No ano do 1964, voltou ao Monte Athos, ao mosteiro “Ivíron” para receber o grande eskema de seu pai espiritual, “Geronda Tikhon”.

       No mesmo ano, sofreu uma cirurgia nos pulmões, e durante o período de sua convalescença conheceu algumas mulheres jovens que lhe faziam doação de sangue. Elas desejavam a vida monástica e o santo as ajudou a encontrar um lugar para construírem seu mosteiro, que foi posteriormente chamado de são João Teólogo “Sorotí”, sendo o santo pai e líder espiritual das monjas.  

      Após o seu regresso ao Monte Athos, e à procura de mais calma e melhor clima para seus pulmões, ele mudou para região da Catonákia, continuando sua luta espiritual.

À beira do colapso espiritual, os monges do mosteiro “Stavronikíta”, pediram ao anto que fosse ao mosteiro a fim de reconstruir espiritualmente a vida dos monges e a ordem interno do mesmo.

Nesse meio tempo, aproximou-se a hora da partida de seu pai espiritual, o qual queria que o Santo fosse até ele, o que aconteceu, e o São Paísaios foi para servir lhe em seus últimos 10 dias da vida, até sua morte em 10 de Setembro de 1968.

Findo sua missão no mosteiro “Stavronikíta”, Ele foi no ano de 1969 ao eremitério de seu pai espiritual, o da “Santa Cruz”, onde continuou sua vida ascética e começou a atender os peregrinos que pediam sua orientação, oração e ajuda.

        Em 1979, por razões espirituais o santo mudou-se para o eremitério da natividade da Mãe de Deus “Panagouda” que pertencia ao mosteiro “Kutlumusiu”, onde sua fama cresceu e espalhou-se por todo o mundo, como pai e guia espiritual que consolava as almas sofridas, suas dores e enfermidades, dividindo seu tempo entre os ofícios eclesiásticos e a assistência aos peregrinos.

Em 1993, saiu do Monte Athos para comparecer a vigília de Arsánios Capadócio no mosteiro do são João Teólogo “Sorotí”. Lá teve uma piora em sua saúde, e por esse motivo foi internado no hospital onde os médicos perceberam que o câncer havia se-espalhado por todo o seu corpo inteiro. Ele desejava voltar ao Monte Athos, mas a rápida deterioração de sua saúde o impediu. Apesar de todas as suas excruciantes dores, ele continuou a atender todos os que se-refugiavam nele, pedindo sua orientação e oração.

          Em 12 de julho de 1994, o Santo faleceu e foi sepultado no mosteiro do são João Teólogo “Sorotí” conforme sua vontade.

      Foi canonizado pelo Patriarcado Ecumênico de Constantinopla durante sessão de seu Santo Sínodo nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2015. Ele já era considerado santo pelos fieis e sua canonização foi apenas uma questão de tempo.

 

                                                     Ó santo de Deus Paísios interceda por nós.

 

[1] A vida monástica ortodoxa passa por 2 etapas bem definidas:

A primeira quando o candidato é recebido para fazer parte da vida no mosteiro, em sua caminhada à vida religiosa e monástica. Ele é tonsurado pelo superior do mosteiro recebendo deste, suas vestes monacais e um novo nome pelo qual deverá ser chamado a partir daquele momento. O sentido desta etapa é mostrar a todos que ele o candidato, deixa o mundo e sua vida anterior nele para adquirir uma nova identidade no seguimento do Senhor.

Transcorrido algum tempo, o monge, já consciente e amadurecido em sua resolução de vida, passa a segunda etapa: receber o Grande Eskema, uma espécie de escapulário colocado por cima de seu habito monacal, e que ele deverá portar por toda sua vida religiosa. O eskema está relacionado aos três votos exigidos ao monje, ou seja, pobreza, obediência e castidade. Com esse passo o monge se integra definitivamente a sua comunidade monástica.

 

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