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São João Damasceno, († 749)


O famoso escritor e poeta eclesiástico São João de Damasco, em sua mocidade, servia na côrte do califa Abdul-Malek e foi governador da cidade de Damasco. Natural da Síria, ele viveu no meio do século 8, quando no império Bizantino se desencadeava com fúria a heresia iconoclastica: os ícones eram destruídos e aqueles que os veneravam eram severamente perseguidos. Sendo uma pessoa extremamente instruída e escritor talentoso, João de Damasco escrevia com muita convicção em defesa da veneração dos ortodoxos pelos ícones.

O imperador grego Leão Isauro que era veemente iconoclasta, ficou enfurecido com aquilo que João escrevia. Ele ordenou que seu escriturário estudasse a letra de São João e escrevesse uma carta em nome dele, endereçada ao imperador bizantino, onde ele ofereça seus serviços a Izauro para derrubar o califa. Esta carta falsificada foi enviada ao califa pelo imperador Leão como prova de sua lealdade a ele e traição de João de Damasco.

O déspota oriental sem ter propriamente analisado o assunto ou ouvido as explicações de João, ordenou que o trancassem na prisão e cortassem sua mão direita por ter, supostamente, escrito aquela carta traidora. Tendo consigo na prisão o ícone da Mãe de Deus, São João depositou diante Deus sua mão decepada e rezou longamente por sua aflição. A Virgem Santíssima apareceu em sonho para o sofredor e olhando carinhosamente para ele disse: "Eis sua mão curada, não se aflija mais." João despertou e com alegre surpresa viu que a mão decepada estava novamente ligada ao pulso, como antes. Ficou apenas uma estreita cicatriz lembrando a execução. Na abundância de tanta alegria e gratidão à piedosa Defensora, fluiu do fundo da alma de João o Cântico: "Toda criação se alegra em Tí, Oh Abençoada!"

A notícia sobre o milagre chegou aos ouvidos do califa, e ele, chamando João, pacientemente investigou o caso e se convenceu de sua inocência. Reconhecendo sua culpa perante João, o califa, para reparar a injustiça, ofereceu-lhe uma grande recompensa e altas honras. Porém João recusou tudo, entendendo como os bens e alegrias terrestres são temporários. Em agradecimento à Mãe de Deus ele encomendou uma reprodução de sua mão feita de prata e a colocou ao ícone diante do qual aconteceu o milagre. Este ícone recebeu o nome de "Três mãos."

São João distribuiu seus bens, e vestido como plebeu afastou-se para o mosteiro de São Sabba o Santificado, 25 km distante de Jerusalém. Como João era muito famoso, nenhum dos monges do mosteiro queria ser supervisor em seu trabalho de penitência. Finalmente um ancião concordou em gerenciá-lo com a condição de que João, por humildade, não escrevesse mais nada. Ele concordou e começou a trabalhar no mosteiro, igual a qualquer frade comum.

Após alguns anos, um monge amigo de João ao perder o pai, pediu que escrevesse alguma oração póstuma para o pai. Num momento de inspiração São João escreveu cânticos os quais até hoje são cantados no templo durante o réquiem.

Ao saber que João violou a obediência a ele infligida e escreveu uma oração, o ancião se enfureceu e queria expulsá-lo do mosteiro. Então toda a irmandade que alí habitava começou a interceder por João. O ancião concordou em perdoar o desobediente com a condição de que ele deveria limpar, com suas próprias mãos, todos os lugares sujos do mosteiro. São João cumpriu humildemente essa ordem severa do ancião. Depois disso a Mãe de Deus apareceu em sonho para o ancião e disse: "Não crie mais emprecílhos à Minha fonte. Deixe que ela flua na Glória de Deus. Quando acordou, o ancião compreendeu que a vontade de Deus era que João de Damasco se dedicasse ao serviço de escritor.

Desde aquela época ninguém mais impediu João de escrever composições cléricas e orações a serviço de Deus. Durante alguns anos de trabalho incessante ele enriqueceu a Igreja com muitas composições, orações e cânones para missa, que até hoje enfeitam os ofícios ortodoxos. Muitos cânticos de Páscoa, Natal e outras celebrações são de sua autoria. Ele também compôs o "Octoechos" (oito tons) cantados durante as celebrações dominicais. Tendo sido tocado pela teologia, São João de Damasco escreveu o famoso livro "A verdadeira exposição da fé ortodoxa," no qual ele resume verdades fundamentais do cristianismo. Faleceu no ano 777.

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