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São Lucas, Médico e Evangelista, Padroeiro dos Médicos


Na carta do apóstolo Paulo aos cristãos da cidade de Colossos, lemos: “Lucas, o querido médico, e Demas mandam saudações.” (4,14)

São Paulo estava fazendo referência àquele que foi seu fiel companheiro em várias ocasiões e viagens missionárias, como lemos em sua Carta a Filemon: “Saudações de Epafras, meu companheiro de prisão em Jesus Cristo, como também de Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus colaboradores.” (23-24)

De São Lucas, sabemos primeiramente que é médico. Também que é escritor de elevada cultura, pois a tradição e a história eclesiásticas são unânimes em lhe atribuir a autoria do terceiro Evangelho, que leva seu nome, e do Livro dos Atos dos Apóstolos.

Estes dois escritos do Novo Testamento são dirigidos a Teófilo, que muitos creem se tratar de um discípulo cristão e seu amigo pessoal, a quem São Lucas desejaria informar minuciosamente sobre a vida e o ministério de Jesus, bem como sobre o início da Igreja e as missões apostólicas, mas alguns afirmam que o nome seria simbólico, pois o nome grego “Teófilo” significa “aquele que ama a Deus”, e assim os dois escritos seriam dirigidos aos discípulos de Jesus Cristo em geral, aqueles que amam a Deus.

Do que temos registrado sobre a vida desse santo médico, podemos afirmar o seguinte:

Lucas nasceu na cidade de Antioquia (na Ásia Menor, atualmente na Turquia), sendo de origem grega. Fez seus estudos na Grécia e no Egito, formando-se em medicina, segundo o grande monge e erudito São Jerônimo, que escreveu não haver incompatibilidade entre o exercício da medicina e o ministério apostólico.

Ele era um dos chamados “apóstolos dos setenta”, um grupo de setenta e dois discípulos escolhidos pelo próprio Jesus para ir à sua frente, às cidades pelas quais ele passaria (Lucas 10,1). Crê-se, ainda, que ele era um dos dois discípulos que caminhavam para a aldeia de Emaús, aos quais Jesus Cristo ressuscitado apareceu e com eles partiu o pão; assim se explicaria porque o próprio Lucas conta com detalhes, em seu Evangelho, esse acontecimento (24,13-35), dando inclusive o nome do outro discípulo: Cléofas. Assim, ele teria presenciado os acontecimentos finais da vida de seu Mestre e Senhor em Jerusalém e, após o encontro com Cristo Ressuscitado (em Emaús), teria anunciado aos apóstolos em Jerusalém esta Boa Nova (Evangelho).

Sabe-se que São Lucas escreveu o Evangelho e os Atos dos Apóstolos na região de Cesaréia, na Palestina. Com certeza, os registros por ele feitos de forma tão detalhada e precisa no Evangelho tiveram por base o testemunho dos próprios apóstolos, com os quais conviveu.

É interessante notar as informações preciosas e únicas dadas por este médico-evangelista sobre o nascimento de Jesus, desde os fatos anteriores, como o anúncio do nascimento do Precursor, São João Batista, até fatos da adolescência do Senhor Jesus. Nenhum dos outros evangelistas é tão minucioso. Ele é o único que apresenta, em seu Evangelho, a genealogia de Jesus Cristo como descendente de Adão, mostrando assim que Jesus não é o Salvador apenas de um povo, mas de todos, pois sua missão é universal (Lucas 3,23-38)

Ele teria ouvido esses detalhes da infância de Jesus da própria Virgem Maria, Nossa Senhora, no período em que esteve junto dela.

Aliás, Nossa Senhora é muito conhecida no Ocidente com o título de “do Perpétuo Socorro”, com um belo quadro da Virgem, que é, na verdade, um ícone, como usamos na Igreja Ortodoxa, pois uma tradição muito antiga nos informa que o pintor desse ícone, cujo original pintado no Oriente encontra-se na Itália, foi o próprio São Lucas.

Ele acompanhou São Paulo em sua viagem a Roma, onde São Paulo foi martirizado. São Lucas foi um grande e incansável pregador do Evangelho; foi o evangelizador da Europa.

Sabemos da personalidade deste santo por seus escritos: manso, humilde, de vasta cultura; em seus escritos desvia a atenção de si mesmo e centraliza tudo em Jesus, o Salvador; escreveu como um verdadeiro estudioso, com mente científica. Ele apresenta Jesus como o Médico das almas e dos corpos. Ao ler o Evangelho de São Lucas, encontramos muitos relatos de curas operadas por Jesus, que ele , como bom médico, registra com detalhes, como, por exemplo, a cura de uma mulher paralítica (13,10-17), de um hidrópico (14,2-4) e de dez leprosos (17,12-14), fatos que somente ele registrou.

Não se sabe como nem onde São Lucas morreu, mas o que chegou a nós é que ele foi sepultado em Alexandria, no Egito, e no século IV suas relíquias foram levadas para a cidade imperial de Constantinopla, hoje Istambul, na Turquia.

Enfim, ao apresentar São Lucas, o Santo médico e evangelista, como padroeiro dos médicos, não o estamos apresentando como Salvador ou intermediário entre Deus e os homens, mas sim, como acontece com todos os santos e santas de Deus, como exemplo de vida, como modelo para todos os que creem em Deus, especialmente, nesta ocasião, para os médicos, pois os grandes homens sempre são modelos seguidos por muitos, como os grandes médicos e cientistas têm seus discípulos.

A figura de São Lucas, que celebramos no dia 18 de outubro, nos lembra e mostra que a santidade, a maior proximidade com Deus, é possível na vida comum, no exercício de nossas atividades como médicos, sacerdotes e outros. É isto que a Igreja Ortodoxa deseja a todos os médicos e a todos os cristãos.

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