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Festa da Anunciação à Virgem Maria


Excelentíssimo Cônsul da Síria, Sr. Ghassan Obeid,

Excelentíssimo Cônsul do Líbano, Sr. Joseph Sayah,

Reverendo Clero,

Senhores Conselheiros de nossa Igreja,

Ilustres Senhores e Senhoras representantes de entidades aqui presentes,

Ilustríssima Senhora Elizabeth Camasmie Zoghb, Presidente da “Sociedade Beneficente ‘A Mão Branca’ de Amparo aos Idosos”, e demais membros,

Prezados amigos e diletos filhos espirituais em nosso Senhor Jesus Cristo.

Celebramos hoje três importantes eventos para nossa vida, como cristãos e membros da comunidade árabe em São Paulo, quando rogamos a Deus que continue abençoando as etapas de nossa vida no Brasil.

O primeiro evento é religioso, ligado à salvação da humanidade, pelo qual Deus deu ao ser humano a possibilidade de ter a vida eterna e voltar ao Paraíso, segundo o desejo do próprio Deus desde o início em relação às suas criaturas, criadas à sua imagem e semelhança.

Trata-se da festa da Anunciação à Virgem Maria, que a Igreja celebra exatamente no dia 25 de março, que é a comemoração do anúncio da Boa Nova feito pelo Arcanjo Gabriel à Mãe de Deus, de que ela ficaria grávida por obra do Espírito Santo e daria à luz um menino que deveria se chamar Jesus e que seria o Salvador, aquele que iria redimir a humanidade e transportá-la da vida do pecado e morte para a vida eterna reservada para os que o aceitam como seu Senhor e Salvador.

Por isso a Igreja chama este dia de “início da salvação”, ou seja, do cumprimento do plano salvífico de Deus.

Outro evento comemorado hoje é patriótico, e está ligado à nossa comunidade sírio-libanesa, pois esta data, o dia 25 de março, é o “Dia Nacional da Comunidade Árabe” no calendário oficial do governo brasileiro, graças à iniciativa do saudoso senador Romeu Tuma, que assim solicitou no projeto de lei nº 11.764, de 2.008.

Isto é o reconhecimento da importância e relevância da presença da comunidade árabe e de seus descendentes no Brasil, com cerca de 12 milhões de pessoas atualmente.

O terceiro evento é histórico e humanitário, e está ligado aos dois anteriores: é a celebração do centenário de uma entidade sírio-libanesa, a “Sociedade Beneficente Mão Branca de Amparo aos Idosos”.

Esta comemoração, de um lado, reafirma a contribuição da comunidade árabe, do ponto de vista histórico e humanitário, nos vários segmentos da sociedade brasileira, e, por outro lado, mostra que a festa da Anunciação, esta festa de salvação, foi o ponto de partida da Sociedade “A Mão Branca” há um século atrás. E como seu aniversário acontece na data da festa, a sua razão de ser é cuidar das pessoas, preservar a dignidade do ser humano, especialmente dos anciãos.

Esta é a imagem da Sociedade “A Mão Branca”, uma sociedade feminina, que, com seu trabalho, leva a Boa Nova e alegria aos idosos e necessitados, assim como o Arcanjo Gabriel transmitiu a Boa Nova do nascimento de Jesus Cristo, para a dignidade do ser humano e a salvação do mundo.

O trabalho desta sociedade beneficente mostra o carinho que as pessoas que vieram do Oriente Médio trouxeram em seus corações ao imigrar, e mostra que aquela terra, onde nasceram as religiões divinas, onde nasceram os profetas, consagrou e santificou os corações de seus filhos, batizando-os, assim, com o espírito divino de carinho pela humanidade, carinho que eles levam consigo e plantam onde quer que estejam neste mundo.

E hoje temos, então, o prazer de celebrar esta Santa Missa em ação de graças por esta Sociedade que comemora 100 anos de fundação e atividades beneficentes.

Essa Sociedade, desde seu início, sempre teve como objetivo servir o próximo com carinho, em favor do homem, pelo qual o próprio Senhor Jesus se encarnou, sofreu a morte e ressuscitou - para salvação de cada homem e de toda a humanidade. Assim, Jesus Cristo deu a si mesmo como exemplo para nós e para todos, nesse ato de amor, abnegação e serviço, como lemos no Evangelho de São Mateus, quando fala a nós sobre o Juízo Final, dizendo:

“Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era estrangeiro e me hospedastes; estava nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; preso e fostes ver-me ... Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”.

Este é o serviço básico que mostra a importância dessa Sociedade e de outras sociedades semelhantes.

Trata-se de uma entidade humanitária e filantrópica. Seu nome: "A Mão Branca", vem de uma expressão árabe que significa: mão caridosa, mão amiga que ajuda, socorre, e faz sempre boas obras, iluminadas pela Luz Divina.

Este nome foi escolhido pelo famoso poeta árabe Kaissar Maluf.

Sem dúvida, a Sociedade "A Mão Branca" desde a sua fundação elevou o nome da coletividade árabe em São Paulo, conquistando o respeito de todos, inclusive das autoridades brasileiras, pelo tipo de atividade que desenvolveu, prestando os mais diversos serviços assistenciais à sociedade, tantos e tão diversos que não teríamos tempo para mencionar todas.

Basta lembrar que, a partir de determinado momento de sua história, sua preocupação se voltou para os idosos desassistidos, trabalhando por atender a suas necessidades e dar-lhes vida digna e pacífica, que são os pais e mães que muito trabalharam e que chegaram a um momento em suas vidas em que precisam de cuidados, atenção e carinho, de quem preserve sua dignidade.

Tendo em vista as origens nobres dessa entidade, achamos por bem lembrar os nomes de suas saudosas fundadoras, aquelas senhoras ortodoxas de nossa comunidade sírio-libanesa, que se reuniam, no ano de 1.912, no salão da Igreja Ortodoxa de Nossa Senhora, na Rua Itobi, hoje rua Basílio Jafet e que deram início à então "Sociedade Beneficente de Damas Syrias - A Mão Branca", posteriormente "Sociedade Beneficente A Mão Branca - Pró-Asilo à Velhice", hoje "Sociedade Beneficente A Mão Branca de Amparo aos Idosos".

Foram senhoras de doze famílias da coletividade sírio-libanesa, igual ao número dos apóstolos de Cristo, que se decidiram a proclamar, com a prática da beneficência, a mensagem do Evangelho, a Boa Nova de salvação a todo ser humano, sem nenhuma distinção.

Hoje, com muito orgulho, lembramos os nomes destas famílias árabes, rogando a Deus o descanso às almas de todas as suas fundadoras. Seja a sua memória eterna.

São as famílias:

Maluf - Moherdaui - Haiar - Chuaire - Calfat - Aramen -

Yazbeck - Carone - Jafet - Helito - Camasmie - Zogbi -, e outras.

Dando a devida importância a nossos antepassados e valorizando seus esforços, cremos ser igualmente proveitoso lembrar que muitas delas foram também presidentes da Sociedade e mencionamos seus nomes para que todos conheçam algumas das famílias representadas e presentes em iniciativa tão elevada.

As atividades da Sociedade "A Mão Branca" nunca foram restritas à assistência aos idosos. Ela prestou auxílio as famílias carentes, ajuda aos compatriotas na Síria, Líbano e Palestina, especialmente por ocasião das guerras mundiais e outras situações de calamidade; socorreu regiões do Brasil durante períodos de seca e inundações e cooperou com a Cruz Vermelha Internacional, em tudo que lhe foi possível.

Desenvolveu atividades variadas nos mais diferentes campos assistenciais até 1.939, quando sua atenção se voltou de forma especial para os idosos, construindo um lar para acolhê-los, com o auxílio de três destacados membros de nossa comunidade, com o apoio e orientação do Arquimandrita Isaías Abud. Foram eles: Nagib Riskallah George, Elian Nacache e Ghattaz Cury, pai do nosso querido Dr. Riad Cury, atual vice-presidente de nosso Conselho Arquidiocesano.

Foram ainda de grande valia os préstimos dos engenheiros Mata Eduardo Salem, Paulo Taufik Camasmie e outros colaboradores.

Essa Sociedade, como tantas outras, teve início e foi fundada no salão da nossa Igreja de Nossa Senhora, que é o berço de praticamente todas as entidades da coletividade sírio-libanesa em São Paulo.

No entanto, a Sociedade "A Mão Branca" sempre serviu a todos, sem distinção de credo religioso ou político, nacionalidade, idioma ou cor.

Suas portas sempre estiveram abertas para a coletividade árabe em geral, para os brasileiros e para todos os necessitados.

Este é o modo natural do povo árabe, do Oriente.

Queridos,

Esta Santa Missa que celebramos hoje, com todos os que estão presentes em nossa Catedral, é ocasião para rezarmos por todos que trabalharam nessa Sociedade, em seus mais diversos setores e das mais diferentes maneiras, e que já passaram à outra vida.

Rogamos pelo descanso de suas almas.

Que o Senhor Deus os tenha junto de seus santos, num lugar luminoso, verdejante e confortável, onde não há dor, tristeza, nem lamentação, mas vida eterna.

Que estejam junto de Deus aqueles que em seu Nome trabalharam.

Rezamos igualmente por todos que atualmente servem a Deus e ao próximo através da Sociedade "A Mão Branca", dela participando e nela atuando de diferentes formas.

Rogamos igualmente por todos os benfeitores e doadores desta entidade, pelos membros de sua diretoria, especialmente pela presidente e vice-presidente, as senhoras comendadoras do Trono Antioquino Elizabeth Camasmie Zogbi e Zilda Camasmie Taleb.

Que o Senhor lhes conceda, e a suas famílias, saúde, forças, alegria e paz e os faça em tudo dignos de ouvir do Pai Celeste o bem-aventurado chamado:

"Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era estrangeiro e me hospedastes; estava nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; preso e fostes ver-me ... Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes."

Finalmente, agradecemos a presença e atenção de todos e rogamos sobre vós as bênçãos de Deus.

Dom Damaskinos Mansour

Arcebispo Metropolitano

Centenário da Sociedade Beneficente Mão Branca

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